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quinta-feira, 15 de março de 2012

Cores no Computador (Parte 01)

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A algum tempo, recebi um e-mail de um amigo me perguntando como funciona o código de cores hexadecimais, que são encontrados nas caixas de cores do Photoshop e Corel DRAW! dentre outros softs.
 
O que parecia uma resposta simples, me levou a uma pesquisa enorme, que acabou por resultar em dois posts (porque o mesmo amigo e mais algumas pessoas [minha filha, inclusive!!] reclamaram que alguns posts que escrevo ficam grandes demais), já que o material é muito interessante e não consegui reduzir.
 
Então, vamos começar pelo começo (mas bem começo mesmo!!)
 
O que é “cor”? (Fala sério, não tem como ser mais “começo” que isso)
Bem, por definição, a cor é uma percepção visual (que depende de uma interpretação do cérebro) provocada quando um feixe de fótons (que são as partículas da luz) atinge as células da retina e, através do nervo ótico, são levadas ao cérebro.
Isso quer dizer que as cores existem na medida que o cérebro as processa. Então, na prática, não existem cores, mas apenas interpretações do cérebro para esses fótons soltos por aí.
Sai, abstração!
Continuando, as cores são determinadas pela frequência de onda que as moléculas do objeto iluminado ou luminoso, refletem ou projetam.
Assim, cada cor tem uma frequência especifica.
Isso quer dizer que um objeto vermelho, por exemplo, tem essa cor porque os objetos vermelhos não absorvem a frequência referente ao vermelho.
Então, o que a gente vê é onda, igual de rádio e televisão, mas em uma frequência diferente, que o nervo óptico pode interpretar.
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(E antes que alguém venha dizer que não é óptico e sim ótico, eu pesquisei! Óptico, com “P”, se refere à visão e Ótico, sem “P”, se refere ao ouvido. Não é culpa minha se o pessoal escreve errado. Mas se você for à uma loja chamada ótica, abre o olho!! E depois fecha, porque lá eles cuidam de seu ouvido!!)
Claro, o olho humano (e os de outros animais também) funciona em apenas uma faixa de frequência de onda específica. Nós conseguimos ver apenas as cores que ficam entre o violeta e o vermelho. Acima do violeta e abaixo do vermelho, são as frequências ultra-violeta e infra-vermelho, que estão lá, mas a gente não vê.
 
Então, funciona assim: Você tem lá 3 bolas, uma vermelha. uma azul e uma verde. Está escuro, não da para ver nada. Daí você liga uma lanterna e aponta para as bolas. A mesma luz atinge as 3, mas cada uma delas te devolve todas as frequências que recebe da lanterna, MENOS a frequência referente à cor de cada bola. Essa frequência é absorvida pelas moléculas da bola. Por permanecer lá, a gente pode vê-la.
 
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Em um pouco mais de abstração, isso quer dizer que a gente, na realidade, não “vê” os objetos, mas apenas a luz que é retida neles. Eu tinha 7 anos de idade quando li sobre isso e fiquei meio doido por uns dias.
As células do olho humano que enxergam as cores, os cones, são “tricromatas”, quer dizer, trabalham com base de 3 cores, para somar todas as outras. Alguns répteis, marsupiais e aves tem um sistema “quadricromata” o que os permite ver uma faixa de cores maior que a nossa. A maioria dos mamíferos, excetuando os primatas, tem um sistema de visão com apenas dois receptores coloridos e são chamados de “dicromatas”. Isso esclarece um antigo mito, de que os touros atacam a cor vermelha. Não é verdade, já que ele não vê vermelho.
Pessoas com algum tipo de deficiência nas células receptoras de cor, são chamados “daltônicos” e não conseguem diferenciar algumas cores. 
 
Bem, usando como modelo de cor a luz, sabemos que a luz branca é a soma de todas as cores primárias (Que alguns dizem ser o vermelho, azul e verde e outros dizem que são amarelo, azul e vermelho) . Gente, esse é um assunto BOM DEMAIS, e eu prometi não escrever muito. Então, sugiro com força que deem um “googleada” em Thomas Young, James Clerk Maxwell, e Hermann von Helmholtz, que estudaram (e meio que definiram) a colorimetria e a fisiologia visual. É MUITO LEGAL!
Mas voltando para o assunto central, a luz branca acumula dentro de si todas as cores do espectro visível. Uma prova disso é que toda vez que a gente decompõe a luz branca, ela nos mostra as outras cores.
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O exemplo clássico é o arco-íris. A luz do sol é desviada pelo efeito prisma produzido pelas gotas de água.

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O exemplo acadêmico é mesmo um prisma, nessa foto com alguma fumaça para realçar.
 
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Eu pessoalmente considero um CD o melhor, mais fácil de obter e mais moderno exemplo de como a luz branca pode ser decomposta em todas as outras. Minha filha achou “lindinho”.
 
Estabelecido o que é cor, temos então dois tipos dela. A cor “aditiva” e a cor “subtrativa”. A “aditiva” é aquela visível por um ponto de origem luminoso e a “subtrativa” por um ponto de visão iluminado.
Uma fotografia em papel ou uma pintura, por exemplo, que precisam receber luz para serem vistas, são objetos iluminados de cor “subtrativa”, como vimos ali em cima. Já a imagem de uma televisão é luminosa e de cor “aditiva”, já que joga as cores diretamente em nossos olhos.
Então, existe uma diferença estrutural nas cores que são projetadas em nossos olhos, como os monitores de computador, e as cores que precisam ser iluminadas para serem vistas, como aquelas imagens que são geradas em nossas impressoras.
E é essa diferença, essa discrepância que obrigou a criação de dois sistemas de cores diferentes entre si, o RGB e o CMYK.
O sistema de cores utilizado pelos monitores de computador, televisores e projetores é o RGB, onde R é Red (vermelho), G é Green (Verde) e B é Blue (azul)
RGB- Cores aditivas
Se você pegar uma lente de aumento e olhar sua televisão colorida bem de perto, vai ver pequenos pontinhos coloridos, nas três cores acima. Essas 3 cores em conjunto, chamadas aqui de “cores primárias” geram as outras cores chamada secundárias, o amarelo (somando o vermelho com o verde), o ciano, (somando o verde com o azul) e o magenta (somando o vermelho com o azul). As três cores primárias juntas geram o branco, e por ser um sistema luminoso, não possui preto. Preto, nesse sistema, são todas as cores desligadas.
A soma dessas 6 cores, primárias e secundárias, geram as terciárias e assim por diante. 
Já o sistema de cores usado para impressão é o CMYK. Ele é formado pelas cores C de Cian (ciano), Y de Yellow (amarelo), M de Magenta e K de Black (Preto).
Tá bom, a palavra “Black” é com “B”, mas já tinham usado o “B” para “Blue”, então usaram o “K” para “Black.
CMYK - subtrativa
Quem tem impressora em casa sabe que os cartuchos de tinta são com essas cores aí.
Nesse sistema, as 3 cores primárias geram também suas secundárias, onde se misturando o ciano com magenta se obtém azul, magenta com amarelo gera vermelho e amarelo com ciano gera verde.
Esse sistema não tem a cor branca, porque é usado para impressão e o papel da impressão já é branco. Em compensação, tem uma quarta cor, o preto.
Algumas impressoras não usam a tinta preta para fazer a cor preta, apenas somam o Ciano, Magenta e Amarelo. Fica um tom azulado e não dá um acabamento profissional.
A soma dessas 3 cores primárias com as 3 secundárias também geram todas as outras.
É claro que, em se tratando de impressão em papel, qualquer tipo de variação nas tintas acaba por criar cores imprecisas. Foi necessário criar um código de cores para equalizar as impressões. Porém, por uma questão econômica, algumas empresas passaram a patentear seus códigos e cobrar direitos sobre seu uso. Por causa disso, de uma maneira geral, cada grande empresa acabou por criar seu próprio código de cores, sempre muito específicos.
Dentre os maiores códigos de cores, podemos citar o Trumatch, Toyo, Focoltone e Pantone, sendo esse último, provavelmente o mais utilizado no planeta.
Pantone escócia
 
As cores são descritas por um número, como pode ser visto na caixa de cores do Photoshop, na imagem acima. Aquele tom de azul específico, o Pantone 300, tem o valor CMYK de 99, 34, 0, 0.
A cor Pantone 300 tem uma história interessante: O parlamento da Escócia, preocupado com a falta de padrão nas cores utilizadas para se fazer a bandeira nacional, decidiu, por lei, que Pantone 300 passaria a ser a cor oficial.
A Coreia do Sul e o Canadá também usam o sistema Pantone para definir as cores de suas bandeiras.
Claro que a ciência tem formas mas precisas de definir cores, como a medida do espectro de onda, por exemplo, mas eu respeito uma decisão política que faz uso de tecnologia comum para resolver seus assuntos internos. Estou seguro que fabricantes de bandeiras e estudantes por lá também concordam com a medida.
 
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Fecho esse post com uma bandeira da Escócia (em Pantone 300), mas no próximo post falarei sobre como calcular as cores em RGB, CMYK e Hexadecimal (Finalmente!!).

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Regra dos Terços 2 - Aplicando

 

Quando eu publiquei o post sobre a "Regra dos Terços" em meu blog, muita gente me escreveu pedindo exemplos práticos.

Eu sempre encarei todas as regras de fotografia como indicadores de direção, não como leis. Na minha opinião, as regras hoje são diretivas para facilitar aos fotógrafos a rápida orientação estética, mas de jeito nenhum são obrigatórias. A criatividade não pode se sujeitar a regras. E é claro que, com esse pensamento. já fiz uns trabalhinhos medonhos...
Mas até fazendo fotos ruins a gente aprende, então o bom conselho é que conheçam as regras, tentem ter um bom domínio sobre elas, apenas não fiquem presos a isso.
(E, se forem estudar regras, vale a pena conhecer a Regra Vitruviana, conceito criado por
Marco Vitrúvio, que teve como seguidor Leonardo da Vinci, o Efeito Parallax e a as regras dos triângulos e das linhas convergentes.)

Aqui, minha intenção é mostrar o uso prático da Regra dos Terços e como alguns artistas usam apenas as linhas horizontais ou verticais dela. Então vamos aos exemplos:

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Essas aqui em cima são do século XIV, no Japão.

Observem como os temas foram separados precisamente, dentro de cada uma das janelas imaginarias.

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Essa é a Vênus, de Botticelli. Observem como ele se preocupou mais com as linhas verticais que as horizontais. Olhando assim, vemos claramente a divisão, da esquerda para direita de Ar, Água e Terra. Ainda assim, as linhas horizontais determinam os mesmos indicadores em uma óptica coletiva.

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Altdorfer, Albrecht 1510 rest-flight-egypt

Aqui, uma pintura de Albrecht, datada de 1510. as linhas verticais separam os temas e as horizontais mostram as criações humanas em confronto às divinas.

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matisse.musique matisse.lecon-musique

Aqui, duas obras de Matisse, observem como ele meio que cria os desenhos sobre as janelas.

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renoir.meadow monet.coquelicots paul cezanne.gardanne

Alguns artistas utilizam a Regra dos Terços dentro de uma óptica muito particular, curvando e torcendo as linhas que criam os quadrantes. Vejam esses 3 exemplos nas obras de Renoir, Monet e Paul Cezanne.

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lancret.moulinet Madonna Litta - Leonardo da Vinci

Aqui, uma pintura de Lancret e outra de Leonardo DaVinci.

Enquanto Lancret cria divisões horizontais precisas, cortando sua obra em 3 temas diferentes, o Mestre Leonardo cria uma pintura para nos mostra como utilizar a Regra dos Terços.

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Duas obras de Kandinsky. Embora seja um pintor adepto do estilo abstrato, vejam como ele conseguia criar outros quadros e outros temas dentro das próprias pinturas, ao se aplicar a elas a Regra dos Terços.

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Murillo, Bartolome the young beggar

Deixei essa para o final, o nome do quadro é “The Young Beggar” de Bartolomé Estebán Murillo, em aproximadamente 1660, em Sevilha, Espanha.

Vale a pena traçar as linhas da Regra dos Terços sobre essa imagem e ver a genialidade do pintor. Um exemplo raro e magistral.

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E aqui, algumas imagens estáticas de alguns filmes.

Essas imagens abaixo são do filme Hero, do diretor chinês Zhang Yimou. Embora a grande maioria dos filmes orientais (chineses, japoneses e coreanos, principalmente) se valham largamente das regras fotográficas, esse tem uma beleza plástica que quase nos obriga a continuar olhando para a tela. (Como haviam imagens demais para mostrar, e esse post já está enorme, coloquei as fotos do filme dentro de um álbum, achei muito difícil escolher apenas algumas)

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Outro filme que se valeu muito do recurso da Regra dos Terços foi “Kill Bill”, do Tarantino.

Em alguns momentos, ele trabalhou com cores específicas em determinados quadrantes, muito interessante a utilização dele deste recurso.

Não vou comentar demais, mas observem na primeira imagem dessa sequência, como ele distribuiu os elementos da cena. A espada está no centro, em primeiro plano, na parte de baixo. O cabo está virado para o Bill, a ponta para a noiva. Do lado da noiva, um abajur aceso e uma almofada vermelha. Do lado do Bill, almofadas roxas e o escuro da noite do lado de fora. As portas fechadas do lado dela, abertas do lado do Bill. Observem as luminárias azuis, nos frames das próximas cenas. Vários conceitos aqui, trabalho muito bom mesmo.

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E agora que eu provavelmente fiz o maior post da história da internet, vou sugerir aos interessados em ver esse conceito em movimento, que comecem pelo filme “Sonhos” de Akira Kurosawa. Não só é um filmão, como a Regra é utilizada de maneira genial.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Regra dos Terços

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Desde que Thâmara e eu passamos a trabalhar juntos, descobrimos que grande parte dos clientes e amigos se interessam muito pela parte técnica da fotografia. Acho que o mundo, como é hoje, nos impele a saber mais, sempre. Nós gostamos muito disso!

Em um ensaio feito em dezembro, a cliente comparava nossos enquadramentos com outros que ela já havia visto. A expressão que ela usou foi que “nossas fotos parecem mais completas”. Um elogio, sem dúvida, mas não sem razão. Eu já até havia escrito um post sobre isso, o que tornou mais fácil a explicação para a cliente.

Tudo se baseia na “Regra dos Terços”

Mas antes de tudo, deixa eu explicar a "Proporção Áurea". (Tem um pouco de matemática aqui, mas não vou esticar a coisa não.)

Também conhecida como "Divina Proporção", "Divisão de Extrema Razão", "Razão de Ouro" e por aí vai, é uma constante algébrica, com valor arredondado de 1,618, conhecido por Phi (Não é o mesmo Pi, com valor arredondado de 3,1416).
É representada graficamente por esse desenho de uma espiral dividida em setores proporcionais.

É um valor retirado da "
Sequência de Fibonacci" Sei que pouca gente gosta de matemática, mas se alguém aqui leu o "Codigo DaVinci" ou assistiu as primeiras temporadas de "Lost", já tem uma certa familiaridade com a Fibonacci.

Na sequência Fibonacci, cada número é seguido pela soma dos dois números anteriores. Então temos:
1, 1+1=2, 2+1=3, 3+2=5, 5+3=8, 8+5=13 e assim por diante. Essa sequência numérica é exatamente a representação matemática da Proporção Áurea, como pode ser visto nessa imagem abaixo.

O que torna esse valor matemático tão ligado às artes é o fato de ele estar conectado diretamente com a natureza do crescimento. Cristais, ossos, plantas, sistemas planetários, praticamente tudo que cresce compartilha dessa proporção matemática.

 

Essa proporção vem sendo usada em arquitetura, engenharia, músicas, esculturas, pinturas, a milhares de anos. A pintura renascentista é repleta deste valor.

Em outras palavras, praticamente tudo que cresce na natureza, cresce seguindo uma ordem comum e universal, uma forma pré-determinada. E essa forma pode ser calculada pela Proporção Áurea.

É meio complexo, e meio fora do tema aqui, mas se alguém se interessar pela matemática da coisa (eu acho fascinante)
aqui tem uma boa explicação. E aqui tem um artigo maravilhoso, por favor, leiam!!

De qualquer maneira, o que aconteceu é que a Proporção Áurea, ao ser dividida em partes de tamanhos similares, acabou dando origem à Regra dos Terços, que é completamente orientada aos trabalhos artísticos visuais. Primeiro com pinturas e depois com a fotografia.

(Aqui ao lado, podemos ver uma correlação entre a "Proporção Áurea", em preto, e a "Regra dos Terços", em vermelho)

Sir Joshua Reynolds, pintor inglês do século XVIII disse que "A proporção entre cores quentes e frias em uma pintura deve ser aplicada na medida de dois por um", embora ele mesmo frequentemente se desviasse dessa fórmula. O importante nessa afirmação era o princípio da criação de um conjunto de regras, não herméticas, mas orientadoras.

John Thomas Smith, pintor contemporâneo de Sir Joshua, em seu livro "
Remarks on Rural Scenery" foi o primeiro a se referir à Regra dos Terços (Rules of Thirds), na qual ele dizia que, ao se pintar uma paisagem, essa pintura deveria ter um terço de solo e dois terços de água, e esses dois juntos deveriam ser um terço da pintura. Os outros dois terços deveriam ser "ar e céu". Um conceito também pouco respeitado, mas codificador de uma regra de composição visual a muito utilizada, mesmo que de forma instintiva.
Ele não foi o primeiro a usar a Regra, mas foi o criador do termo e pioneiro em escrever sobre ela.

Alguns classificam a Regra do Terço com o "Código da Beleza". Um pouco poético demais, ela é apenas uma orientação sobre equilíbrio visual, mas muito eficiente.

O princípio é simples; ao se fazer uma foto, tente ver a imagem fotografada dividida por duas linhas horizontais e duas verticais, equidistantes. Isso cria nove áreas proporcionais que, bem utilizadas, determinam o peso, a geometria, a suavidade e o equilíbrio da foto.
Abaixo, alguns exemplos:






Mas aí você me diz: "Tá, interessante esse trocinho aí, mas e eu com isso?"

Hoje em dia todo mundo tem uma câmera digital, nem que seja no celular. A Regra dos Terços vai te ajudar não só a fazer fotos melhores, como também, se você edita suas fotos digitais, a fazer edições melhores, com imagens de mais qualidade.

Algumas câmeras digitais já vem de fábrica com as linhas da Regra dos Terços em seu visor. Outras tem as linhas como função, que precisa ser ativada. Já ví gente usando fita adesiva no visor da câmera para criar as linhas.

Aliás, para quem edita em Photoshop (outra paixão), a partir da versão CS 4, ele já vem com uma Shape que desenha as linhas da Regra dos Terços sobre a imagem a ser editada. Como ela cria um Path, não interfere diretamente na imagem. E ela é escalonável, então não faz diferença o tamanho de sua foto.

Para carregar a Shape é simples, selecione a ferramenta “Custom Shape Tool” que fica na barra de ferramentas à esquerda no Photoshop, ou use o atalho de teclado, a tecla “U”. Isso ativa a ferramenta. Agora vá na barra horizontal superior, que assumiu os comandos da ferramenta Shape, e abra a janela para escolher uma Shape específica. Ela é uma que tem os nove retângulos, parecida com uma janelinha.

Basta coloca-la por cima da imagem que você vai editar. Ela cria automaticamente um layer novo, de modo que sua imagem não será modificada. Quando for salvar a imagem, delete ou esconda a Shape.