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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Regra dos Terços 2 - Aplicando

 

Quando eu publiquei o post sobre a "Regra dos Terços" em meu blog, muita gente me escreveu pedindo exemplos práticos.

Eu sempre encarei todas as regras de fotografia como indicadores de direção, não como leis. Na minha opinião, as regras hoje são diretivas para facilitar aos fotógrafos a rápida orientação estética, mas de jeito nenhum são obrigatórias. A criatividade não pode se sujeitar a regras. E é claro que, com esse pensamento. já fiz uns trabalhinhos medonhos...
Mas até fazendo fotos ruins a gente aprende, então o bom conselho é que conheçam as regras, tentem ter um bom domínio sobre elas, apenas não fiquem presos a isso.
(E, se forem estudar regras, vale a pena conhecer a Regra Vitruviana, conceito criado por
Marco Vitrúvio, que teve como seguidor Leonardo da Vinci, o Efeito Parallax e a as regras dos triângulos e das linhas convergentes.)

Aqui, minha intenção é mostrar o uso prático da Regra dos Terços e como alguns artistas usam apenas as linhas horizontais ou verticais dela. Então vamos aos exemplos:

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Essas aqui em cima são do século XIV, no Japão.

Observem como os temas foram separados precisamente, dentro de cada uma das janelas imaginarias.

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Essa é a Vênus, de Botticelli. Observem como ele se preocupou mais com as linhas verticais que as horizontais. Olhando assim, vemos claramente a divisão, da esquerda para direita de Ar, Água e Terra. Ainda assim, as linhas horizontais determinam os mesmos indicadores em uma óptica coletiva.

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Altdorfer, Albrecht 1510 rest-flight-egypt

Aqui, uma pintura de Albrecht, datada de 1510. as linhas verticais separam os temas e as horizontais mostram as criações humanas em confronto às divinas.

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Aqui, duas obras de Matisse, observem como ele meio que cria os desenhos sobre as janelas.

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Alguns artistas utilizam a Regra dos Terços dentro de uma óptica muito particular, curvando e torcendo as linhas que criam os quadrantes. Vejam esses 3 exemplos nas obras de Renoir, Monet e Paul Cezanne.

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lancret.moulinet Madonna Litta - Leonardo da Vinci

Aqui, uma pintura de Lancret e outra de Leonardo DaVinci.

Enquanto Lancret cria divisões horizontais precisas, cortando sua obra em 3 temas diferentes, o Mestre Leonardo cria uma pintura para nos mostra como utilizar a Regra dos Terços.

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Duas obras de Kandinsky. Embora seja um pintor adepto do estilo abstrato, vejam como ele conseguia criar outros quadros e outros temas dentro das próprias pinturas, ao se aplicar a elas a Regra dos Terços.

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Murillo, Bartolome the young beggar

Deixei essa para o final, o nome do quadro é “The Young Beggar” de Bartolomé Estebán Murillo, em aproximadamente 1660, em Sevilha, Espanha.

Vale a pena traçar as linhas da Regra dos Terços sobre essa imagem e ver a genialidade do pintor. Um exemplo raro e magistral.

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E aqui, algumas imagens estáticas de alguns filmes.

Essas imagens abaixo são do filme Hero, do diretor chinês Zhang Yimou. Embora a grande maioria dos filmes orientais (chineses, japoneses e coreanos, principalmente) se valham largamente das regras fotográficas, esse tem uma beleza plástica que quase nos obriga a continuar olhando para a tela. (Como haviam imagens demais para mostrar, e esse post já está enorme, coloquei as fotos do filme dentro de um álbum, achei muito difícil escolher apenas algumas)

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Outro filme que se valeu muito do recurso da Regra dos Terços foi “Kill Bill”, do Tarantino.

Em alguns momentos, ele trabalhou com cores específicas em determinados quadrantes, muito interessante a utilização dele deste recurso.

Não vou comentar demais, mas observem na primeira imagem dessa sequência, como ele distribuiu os elementos da cena. A espada está no centro, em primeiro plano, na parte de baixo. O cabo está virado para o Bill, a ponta para a noiva. Do lado da noiva, um abajur aceso e uma almofada vermelha. Do lado do Bill, almofadas roxas e o escuro da noite do lado de fora. As portas fechadas do lado dela, abertas do lado do Bill. Observem as luminárias azuis, nos frames das próximas cenas. Vários conceitos aqui, trabalho muito bom mesmo.

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E agora que eu provavelmente fiz o maior post da história da internet, vou sugerir aos interessados em ver esse conceito em movimento, que comecem pelo filme “Sonhos” de Akira Kurosawa. Não só é um filmão, como a Regra é utilizada de maneira genial.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Regra dos Terços

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Desde que Thâmara e eu passamos a trabalhar juntos, descobrimos que grande parte dos clientes e amigos se interessam muito pela parte técnica da fotografia. Acho que o mundo, como é hoje, nos impele a saber mais, sempre. Nós gostamos muito disso!

Em um ensaio feito em dezembro, a cliente comparava nossos enquadramentos com outros que ela já havia visto. A expressão que ela usou foi que “nossas fotos parecem mais completas”. Um elogio, sem dúvida, mas não sem razão. Eu já até havia escrito um post sobre isso, o que tornou mais fácil a explicação para a cliente.

Tudo se baseia na “Regra dos Terços”

Mas antes de tudo, deixa eu explicar a "Proporção Áurea". (Tem um pouco de matemática aqui, mas não vou esticar a coisa não.)

Também conhecida como "Divina Proporção", "Divisão de Extrema Razão", "Razão de Ouro" e por aí vai, é uma constante algébrica, com valor arredondado de 1,618, conhecido por Phi (Não é o mesmo Pi, com valor arredondado de 3,1416).
É representada graficamente por esse desenho de uma espiral dividida em setores proporcionais.

É um valor retirado da "
Sequência de Fibonacci" Sei que pouca gente gosta de matemática, mas se alguém aqui leu o "Codigo DaVinci" ou assistiu as primeiras temporadas de "Lost", já tem uma certa familiaridade com a Fibonacci.

Na sequência Fibonacci, cada número é seguido pela soma dos dois números anteriores. Então temos:
1, 1+1=2, 2+1=3, 3+2=5, 5+3=8, 8+5=13 e assim por diante. Essa sequência numérica é exatamente a representação matemática da Proporção Áurea, como pode ser visto nessa imagem abaixo.

O que torna esse valor matemático tão ligado às artes é o fato de ele estar conectado diretamente com a natureza do crescimento. Cristais, ossos, plantas, sistemas planetários, praticamente tudo que cresce compartilha dessa proporção matemática.

 

Essa proporção vem sendo usada em arquitetura, engenharia, músicas, esculturas, pinturas, a milhares de anos. A pintura renascentista é repleta deste valor.

Em outras palavras, praticamente tudo que cresce na natureza, cresce seguindo uma ordem comum e universal, uma forma pré-determinada. E essa forma pode ser calculada pela Proporção Áurea.

É meio complexo, e meio fora do tema aqui, mas se alguém se interessar pela matemática da coisa (eu acho fascinante)
aqui tem uma boa explicação. E aqui tem um artigo maravilhoso, por favor, leiam!!

De qualquer maneira, o que aconteceu é que a Proporção Áurea, ao ser dividida em partes de tamanhos similares, acabou dando origem à Regra dos Terços, que é completamente orientada aos trabalhos artísticos visuais. Primeiro com pinturas e depois com a fotografia.

(Aqui ao lado, podemos ver uma correlação entre a "Proporção Áurea", em preto, e a "Regra dos Terços", em vermelho)

Sir Joshua Reynolds, pintor inglês do século XVIII disse que "A proporção entre cores quentes e frias em uma pintura deve ser aplicada na medida de dois por um", embora ele mesmo frequentemente se desviasse dessa fórmula. O importante nessa afirmação era o princípio da criação de um conjunto de regras, não herméticas, mas orientadoras.

John Thomas Smith, pintor contemporâneo de Sir Joshua, em seu livro "
Remarks on Rural Scenery" foi o primeiro a se referir à Regra dos Terços (Rules of Thirds), na qual ele dizia que, ao se pintar uma paisagem, essa pintura deveria ter um terço de solo e dois terços de água, e esses dois juntos deveriam ser um terço da pintura. Os outros dois terços deveriam ser "ar e céu". Um conceito também pouco respeitado, mas codificador de uma regra de composição visual a muito utilizada, mesmo que de forma instintiva.
Ele não foi o primeiro a usar a Regra, mas foi o criador do termo e pioneiro em escrever sobre ela.

Alguns classificam a Regra do Terço com o "Código da Beleza". Um pouco poético demais, ela é apenas uma orientação sobre equilíbrio visual, mas muito eficiente.

O princípio é simples; ao se fazer uma foto, tente ver a imagem fotografada dividida por duas linhas horizontais e duas verticais, equidistantes. Isso cria nove áreas proporcionais que, bem utilizadas, determinam o peso, a geometria, a suavidade e o equilíbrio da foto.
Abaixo, alguns exemplos:






Mas aí você me diz: "Tá, interessante esse trocinho aí, mas e eu com isso?"

Hoje em dia todo mundo tem uma câmera digital, nem que seja no celular. A Regra dos Terços vai te ajudar não só a fazer fotos melhores, como também, se você edita suas fotos digitais, a fazer edições melhores, com imagens de mais qualidade.

Algumas câmeras digitais já vem de fábrica com as linhas da Regra dos Terços em seu visor. Outras tem as linhas como função, que precisa ser ativada. Já ví gente usando fita adesiva no visor da câmera para criar as linhas.

Aliás, para quem edita em Photoshop (outra paixão), a partir da versão CS 4, ele já vem com uma Shape que desenha as linhas da Regra dos Terços sobre a imagem a ser editada. Como ela cria um Path, não interfere diretamente na imagem. E ela é escalonável, então não faz diferença o tamanho de sua foto.

Para carregar a Shape é simples, selecione a ferramenta “Custom Shape Tool” que fica na barra de ferramentas à esquerda no Photoshop, ou use o atalho de teclado, a tecla “U”. Isso ativa a ferramenta. Agora vá na barra horizontal superior, que assumiu os comandos da ferramenta Shape, e abra a janela para escolher uma Shape específica. Ela é uma que tem os nove retângulos, parecida com uma janelinha.

Basta coloca-la por cima da imagem que você vai editar. Ela cria automaticamente um layer novo, de modo que sua imagem não será modificada. Quando for salvar a imagem, delete ou esconda a Shape.